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sábado, 24 de outubro de 2009

POESIA PARNASIANA

A poesia parnasiana é objetiva, descritiva e materialista, sem vínculo com a realidade. Outras características são a alienação, o rigor formal, a busca pela perfeição, a inspiração na Antigüidade clássica, a sensualidade, a presença de mitologia pagã e o uso de uma linguagem rebuscada.

PRINCIPAIS POETAS
TRINCA PARNASIANA - Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.


OLAVO BILAC - apresentou poesias de temas variados, como o lirismo amoroso, a morte, a velhice, a existência humana, além da História Antiga e do Brasil. Conhecido como o "principe dos poetas brasileiros".
obras: "Via Láctea", "Sarças de Fogo".
ALBERTO DE OLIVEIRA - o "mais parnasiano"; escreveu poemas sentimentais, descritivos e satíricos.
obras: "Vaso Grego", "Vaso Chinês", "Obras Parnasianas".

RAIMUNDO CORREIA - suas obras apresentam reflexões de ordem moral e social, com versos pessimistas e filosóficos.
obras: "As Pombas", "A Cavalgada".


Via láctea
Soneto XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" Eu vos direi, no entanto,
Que para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac


Vaso Chinês
Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.

Mas, talvez por contraste à desventura -
Quem o sabe? - de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura:

Que arte, em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.

Alberto de Oliveira

3 comentários:

My space *-* disse...

Esse foi o melhor post que encontrei falando sobre poesia parnasiana, parabéns, ficou bem claro e ajudou-me bastante.

Dolores Quintão Jardim disse...

Grata por seu comentário!

ana disse...

Adorei. :-)