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sexta-feira, 2 de março de 2018

Luiza Caetano partiu ...""Ela é livre e ser livre a faz brilhar Ela é filha da terra céu e mar" Filha do vento também"

É com imenso pesar e tristeza, que comunico que a artista plástica, poeta e pintora  Luiza Caetano, faleceu esta manhã no Hospital de Cascais em Lisboa.


O velório ocorrerá amanhã dia 03 de março de 2018 na Rua de Cascais, 208
O sepultamento será no Cemitério da Malveira, no dia 04 de março de 2018




 Descansa em paz .



 Nascida na aldeia de Venda do Pinheiro, em Mafra, perto de Lisboa, em 1946, Luiza teve uma infância pobre semelhante a de muitas mulheres da região, habitada por pessoas pouco letradas. No entanto, foi nesse universo que viu imagens que cristalizaria mais tarde em quadros, como Aldeia saloia, Burro saloio ou Festas da minha aldeia.
Luiza, que se define "órfã de pais, filhos e maridos", começou a trabalhar numa usina de tecelagem, como operária, aos 11 anos de idade. Aos 18 anos, mudou para Lisboa. Passou a viver então a rotina de trabalhar durante o dia e estudar à noite. Formou-se assim em Filosofia e começou a escrever poemas e contos, publicando alguns em jornais.
Material para isso não faltava à observadora e inquieta Luiza, que viajou por Ásia, Europa, México e Índias, de avião, de carona, enfim, da forma que conseguia. Nesse período desenvolveu também o amor pela pintura. Começou então a freqüentar exposições e a pensar em desenhar algo, mesmo sem ter cursado qualquer academia de arte, fato que a caracteriza como autêntica naïf.
Em 1988, ocorreu o grande estalo. Luiza comprou pincéis, tintas e telas. "Comecei a borrar tudo quanto me rodeava", conta. O resultado chamou a atenção de um amigo pintor, que levou suas telas para a Galeria de Arte do Casino Estoril, Luiza foi aceita no Salão Naïf local, realizado anualmente e considerado um dos melhores da Europa, e começou uma carreira que hoje inclui exposições em Portugal e no exterior, principalmente Espanha, França, Alemanha, Cabo Verde, Bélgica, EUA e Brasil, além de integrar importantes acervos internacionais e de ter participado da fundação em 1989, da Associação de Pintores Primitivos Modernos de Portugal .
Luiza integrou ainda a exposição inaugural do Museu de Arte Primitiva Moderna de Guimarães, em Portugal, com dois quadros bem distintos: um paradisíaco Adão e Eva perante a maça do pecado e uma visão da Ponte 25 de abril com uma cruz inclinada como a abençoar o rio Tejo. Essa pequena intromissão do fantástico na tela dá um charme todo especial ao trabalho de Luiza e a destaca no panorama dos naïfs portugueses.
Premiada pela Embaixada de Portugal em Cabo Verde, em 1996, e no XVII Salão de Arte Naïf, Galeria do casino Estoril, em1997, Luiza não hesita em definir o trabalho que faz. "Pintar representa um escape onde liberto as tensões e o estresse do dia-a-dia, onde cristalizo algumas emoções e recordações.Entre os pintores que a motivam a seguir em frente com seu ofício de pintora, Luiza destaca Henri Rousseau, o pai dos naïfs; Frida Khalo e Diego Rivera, que já pintou juntos; além do colombiano Botero e da brasileira Tarsila do Amaral. Na poesia, cita Manuel Bandeira, Florbela Espanca, Eugênio de Andrade e Fernando Pessoa, a quem também já retratou ao lado de Charles Chaplin, em frente ao célebre Café Lisboa.
Entre os escritores, há uma interessante preferência pelos grandes mestres do realismo fantástico, como Kafka e Gabriel García Márquez, além do conterrâneo José Saramago. Suas telas, em certo aspecto, às vezes se aproximam dessa tendência, pois, embora partam de situações cotidianas sempre tem algum elemento, por menor que seja, de irrealidade, que atribui alguma simbologia à tela.
Esse recurso se torna mais evidente no tratamento que a artista portuguesa dá às proporções, como ocorre, por exemplo, no quadro O Fado – Homenagem a Amália Rodrigues, em que a grande cantora de fado é mostrada quatro vezes maior do que os espectadores do seu show e os músicos que a acompanham, além das presenças significativas e misteriosas, nos azulejos das paredes da casa de fado, de Santo Antônio de Lisboa e de Fernando Pessoa.
Além das aldeias e cenas saloias já mencionadas, Luiza pinta recantos de Portugal, como Guimarães – Música na Praça da Oliveira e Cegonhas brancas no Castelo de Arraiolos. A história de Portugal também comparece em seus trabalhos, merecendo destaque a tela Festejando o 25 de abril no Pelourinho. Homens, mulheres e crianças dançam e cantam, todos com os tradicionais cravos vermelhos que coroaram a democracia lusa.Quadros como Partida de Vasco de Gama para a Índia, que exalta o empreendimento marítimo luso, Terras de Vera Cruz, em que as praias brasileiras aparecem como locais paradisíacos, com coqueiros, aves e ondas calmas, e Sermão do Padre Antônio Vieira aos índios do Brasil, marcado pela presença de araras coloridas que contrastam com as velas brancas das caravelas portuguesas, confirmam a preocupação da artista com as raízes portuguesas.
Em outubro último, quando esteve no Brasil para a abertura da exposição Naïfs Portugueses Redescobrem o Brasil, o cônsul da Suíça no Rio de Janeiro pediu que ela pintasse uma tela relativa aos descobrimentos portugueses, com as caravelas chegando ao Brasil, baseado justamente em quadros da artistas sobre essas temática.
Luiza relutou, mas aceitou a tarefa. "É difícil para mim trabalhar por encomenda, mas vou recriar o tema. Gosto muito de desafios ", declarou. Seguramente ela não terá dificuldades, pois em telas como Va, pensiero e Deusas do rio a relação entre embarcações e a água é tratada com simplicidade e toques de criatividade.
O ecletismo dos temas de Luiza assombra pela diversidade. Se as festas populares de Lisboa, no conhecido bairro da Alfama, não podiam faltar numa autêntica pintora lusa, como ocorre em Prece das noivas a Santo Antônio; o universo agrário, quando presente, geralmente também é mostrado em cenas alegres, como Apanhadores de melão ou Apanhando tomate, alem de um coloridíssimo Homem de malmequeres, vendendo suas flores em uma rua no centro do quadro. Ao fundo, centenas de pequenas manchas de diversas tonalidades, indicando os mais variados tipos de plantações.
Há ainda A orgia do vinho, em que homens e mulheres aparecem tocando instrumentos e pisando uvas. Na parte superior do quadro, moinhos de vento dão harmonia à cena e, à direita, um senhor de smoking bebe, imerso em luxo, o resultado do árduo trabalho dos camponeses.Também há cenas mais românticas, como Namoro, em meio a um campo todo florido, ou uma moça sozinha num campo igualmente paradisíaco, em Malmequer... Bem me quer, mas a força maior de Luiza parece estar justamente na forma original que mostra o cotidiano da vida saloia. As imagens surgem com naturalidade, sem afetação, encantando à primeira vista.
Observar atentamente as telas de Luiza Caetano é um descanso para os olhos. Olhar as imagens que nos oferece constitui não só uma visita a Portugal, mas, acima de tudo, um mergulho num universo de pinceladas precisas e decididas que dão aos seus quadros uma dimensão universal, colocando-a entre as principais expressões da pintura naïf em âmbito mundial, já que, a artista consegue extrair aquilo que há de universal na vida saloia portuguesa.Ganhou o 1º prêmio do Salão Internacional da Galeria do Cassino de Estoril (Portugal, 1996); 1º prêmio do Salão Um Arquipélago de Todas as Cores (Cabo Verde, 1996); menção honrosa no Salão de Arte Naif de Lousa (1994 e 2002); Salão Internacional da Galeria do Cassino de Estoril (Portugal, 1994, 1995, 1996, 1998, 1999, 2001 e 2002); Salão 1º Pré Costa do Estoril (Portugal, 2004). Entre as distinções, recebeu a Medalha da Galeria Alba (Nápoles, Itália, 2001) e o Grau Acadêmica-Associada, Atribuído Pela Academia Internacional de Artes, Letras e Ciências Greci (Marino, Itália, 2002).De Portugal Com Amor - Pinturas" sublinha a carga afetiva da pintora com o Brasil, através de alguns quadros emblemáticos, como o "Trenzinho Para Pasárgada", no qual Luiza coloca o poeta brasileiro Manuel Bandeira conduzindo o trem numa viagem mítica com Jorge Amado, Zélia Gattai, Fernando Pessoa, José Saramago e até a cantora Maria Bethânia. Outras obras de referência são a "Barca D’Eça" (alusiva ao escritor português Eça de Queiroz) e "Barco Negro" (nome de um dos fados mais conhecidos de Amália Rodrigues, de quem a autora é fã). A mostra conta ainda com alguns trabalhos que Luiza Caetano exibiu ano passado na exposição Portugal em Prosa e Verso no Museu Internacional de Arte Naif do Brasil (Rio).
Segundo os críticos, Luiza Caetano é uma pintora eclética, criativa e inquieta, cujos temas se envolvem quase sempre com suas emoções e paixões. É uma pintora profana que adora pintar Santo Antônio de Lisboa, além das típicas aldeias portuguesas, ou as originais vindimas do Douro.Seleccionada pelo Centre d´Art International Lia Kasper de Morges (Suiça), para o Grand Prix Suisse et Prix Europe de Peinture Primitive Moderne.CITADA:
'Artes Plásticas Luso Brasileiras' de Narcizo Martins
'Artes Plásticas de Portugal II', de Fernando Infante
'Anuário das Artes Plásticas', Estar Editora
PRÉMIOS Entre outros:.
1º Prémio Embaixada de Portugal, Cabo Verde
1º Prémio Casino Estoril (Prémio Câmara Municipal de Guimarães)
3º Prémio Salão de Arte, Renault
Menções Honrosas, nos XIV, XV, XVI e XVIII Salões de Pintura Naïf do Casino Estoril e Salão de Arte Naïf 1994 da Lousã .
REPRESENTADA
Museu Internacional de Pintura Naïf de Jaen-Espanha
Museu de Arte Primitiva Moderna de Guimarães
Museu da Água - Epal - Lisboa
Câmaras Municipais de: Guimarães, Lousã, e Sesimbra
Fundação Evangelização e Culturas;
Visitem ....
http://www.inforarte.com/…/ht…/luiza_caetano_curriculum.html
http://www.geocities.com/luizacaetano/
E agora um poema que Luiza Caetano se descreve:

NASCIDA A 21 DE JUNHO

"Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra céu e mar"
Filha do vento também
e
do ventre de minha mãe
sou
calceteira do tempo
inventora de templos
de sonhos e de fétiches
jogo as cartas com o diabo
ando de braço dado com Deus
sou
a irmã de Vocês
nas esquinas
da Rua do Off
nos pincéis
e
nas palavras
nos versos
e
nos reversos
sou o avesso
do direito
espontânea
daquele jeito...

Luiza Caetano.


Eternas saudades 


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Djanira Pio.


Meu entorno
era rodeado
de familiares.
E eu acreditava
em afeto.

Djanira Pio.

Joaquim Alves.

PARA QUANDO O SILÊNCIO CHEGAR









Antevejo a qualquer distância
esse final e absoluto silêncio

no negro tudo é luminoso

não sei se será um definito tempo
de morar contigo meu amor

o mais provável é mesmo ser

enquanto tal não possa acontecer
há a festa que nos comunga e beija

a ternura que é eterna
mesmo de olhos fechados











Joaquim Alves

Joaquim Alves

Tinha um velho e sábio amigo
que me dizia que o tempo não existia

mesmo que existisse
devia viver sempre acima
de todos os pesos do tempo

habituei-me às suas falas
tão mansas como os rios no verão

e guardei o seu sorriso

(s/ data)


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Os Lugares / Por Joaquim Alves

OS LUGARES

Não estive em muitos lugares
mas sei os lugares onde estive
havia sempre um razão
nem que fosse intuitiva
era sempre o maldito
esse que nunca vi
nem verei em vida
esse que um dia te dei
e ainda me habita

Joaquim Alves.
Itanhaém- Litoral Sul -São Paulo. 



sábado, 29 de abril de 2017

Sobre Saudades.

Olá a todos. Toda a gente já  deve ter sentido Saudades de alguém, ou de alguma coisa.

Eu, estava com saudades de colocar aqui poesia . Minha amiga Luiza Caetano, tirou férias da poesia.

Sinto saudades.

Tenho certeza que os fãs e admiradores dela também .

Volt

sexta-feira, 17 de março de 2017

Antonio Lobo Antunes



José Jorge Letria
Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores entrega o Prémio Vida e Obra a António Lobo Antunes.

Vencedores do Prémio Autores 2017: http://bit.ly/PrémioAutores2017-Vencedores
#premioautores #spa #spautores #SociedadePortuguesadeAutores #rtp#rtp2



 
#premioautores



JÚRI | PRÉMIO AUTORES 2017

CINEMA
Jorge Leitão Ramos
Rui Tendinha
António Loja Neves
 
ARTES VISUAIS
Pedro Calapez
José de Guimarães
Inácio Ludgero
 
RÁDIO
Fernando Alvim
João David Nunes
Paulo Sérgio
 
DANÇA
Cláudia Galhós
Maria José Fazenda
Daniel Tércio
 
TELEVISÃO
António Loja Neves
Ana Zanatti
Mário Figueiredo
 
LITERATURA
Manuel Frias Martins
Rita Pimenta
Luísa Mellid Franco
 
MÚSICA
Miguel Angelo
Mafalda Arnauth
Rui Filipe
 
TEATRO
Helena Simões
Eugénia Vasques
Rui Monteiro
 


Lisboa, 16 de Março de 2017



segunda-feira, 25 de julho de 2016

Luiza Caetano no Casino Estoril - Lisboa 2016

 Galeria de Arte do Casino Estoril, próximo Sábado dia 30 de Julho, terá início mais uma nova Exposição de Arte Internacional e mais uma vez como não poderia deixar de ser, a pintora poeta Luiza Caetano lá estará com suas obras.

Uma Exposição, a não perder.
Lisboa - Portugal.















domingo, 5 de junho de 2016

Daufen Bach

im e outras 49 p“    este pertencimento as coisas que não são entendidas”
hoje, o meu paladar pelas coisas simples e de fácil
_____________________entendimento se perdeu.
estou a adormecer e a acordar para os meus arroubos.
as razões de nada me servem!
fiz barulho de cristal quebrado e me recompus igual a
_________________________ um cristal quebrado...
(apenas estilhaços).
o correr das horas é lento!
procuro o sentido oculto das coisas, mas a minha angústia,
servil e desvairada,
é timoneira e me leva para os olhos de neblina
que se escondem atrás de cortinas imaginárias.
tardio...
sempre tardio o arrependimento!
a fúria veloz com que me bate os pensamentos
_____________ exige que eu fique em solidão.
que seria do silêncio sem a voz - eu me pergunto.
por que a razão de minha voz, se é tão mais prático
e convincente, tão mais sábio,
se esconder e ficar apenas a olhar com olhos de
____________________________observação?
assim como ter audácia para ventos fortes e paixões
_________________________________fervorosas,
queria ter audácia para fugas contínuas deste desespero.
ser como um navio a singrar de um porto em busca de
__________________________águas desconhecidas
e, a mirar sempre o horizonte,
ver em gaivotas e ondas baixas, a mansidão...
mas, em mim, tudo é revolto, consome e arde!
tudo sempre está de malas quase prontas para o partir.
sempre a cultivar este eterno desassossego da calma e
_____________________________________ da alma.
que mistério há nas coisas?
que ardor e frenesi, diferentes, andam junto aos passos
___________________________________da amada?
seriam os meus olhos a ver coisas que não existem?
seria esta disritmia, este solavanco do espírito
a perceber coisas que não existem?
seria a coisa amada desatenta?
que fidelidade há no meu sentir?
que tipo de confiança carrego?
esta confiança que me dá conforto de sabedor do querer
__________________ e desconfiança do querer sabido?
esta consciência absurda deste caos interior,
não mede o ruído cruel de uma voz dita em brados íntimos.
não percebe o teor da palavra solta quando em confusão,
_____________________________________disparates
e estas inconveniências todas do sentir.
espero que uma porta se abra,
mas não me concebo o direito de abri-la.
serias tu, amor imaginado, a chave, a aldrava?
serias tu o ferrolho fácil de burlar?
fico com a imensidão solitária deste contínuo esperar...
a imensidão deste desespero branco
e desta monotonia reservada
para as horas do “não sei o que fazer”...
adiamentos,
repetições,
divórcios de horas amarradas ao tempo.
o tic-tac cadenciado do relógio
não apresenta respostas
e me imerge no abismo de grandes interpretações.
descem as águas do rio...
(elas forram a minha imaginação)
a se debaterem com as pedras me mostram o caminho,
____________________________________ o curso...
(luta debalde esta minha de compreensão!)
estou a imaginar que não existe libertação
_________________para os pensamentos,
que não existe cura para estas coisas não metafísicas
e que não existem metafisismos
para àquilo que irrompe a lógica dos sentidos
ou que busca nos sentidos, a lógica.
para que embriagar-se com fumaça de cigarro
e ficar a sorver co(r)pos não servidos?
há um verso perdido na escrivaninha,
uma pena, um tinteiro e algo mais...
mas, não uso pena, nem tinteiro e para quê, então,
___________________este verso a me maltratar?
a relembrar a confusão, quase épica dos perceberes,
a não me dar respostas e representar em tabuletas,
esta superficial constatação daquilo que vaga e divaga?
liberto seja o pensamento de explicações!
tudo é possível na liberdade espontaneísta das coisas!
(até o sublime é possível!)
assento-me e,
perdido,
não tenho lugar algum.
não há sinônimos para aquilo que sinto
e também não há paradoxos ou antíteses
que explicitem este consciente não saber das coisas,
que pairam e que carecem de explicações maiores.
do outro lado da rua, uma canção, um outro mundo.
que fácil, se soubesse eu, ser um pagador de promessas,
um anfitrião educado!
seria me dado um pouco de alento se eu soubesse coexistir
com aquilo que é apenas sofismado?
qual seria a semântica gratuita do pensar?
________________________________penetras,
__________________________________ putas,
_______________________________mendigos
______________e toda a sorte de sobreviventes,
___________________me ensinam a não temer,
a não tolher o que é desajuizado a muitos olhos...
ensinem-me a simplicidade dos passos
e o rumo dos caminhos difíceis!
suprimam, em mim, esta relevância noturna
que dou aos pequenos detalhes!
ensinem-me a dormir como se qualquer lugar, fosse
______________________________a minha casa!
para que eu jamais tenha que ficar a descobrir em que
paradeiro está o meu destino.
um grito fundo se evola através da ambiguidade
____________________destas palavras todas.
que créditos existem para aquele que pensa e não quer
fazer-se percebido e, quando se faz, provoca alaridos
e não contém o despejo de todos os dissabores,
nesta não seletividade do que é possível e não possível?
(a lua vai passando calmamente,
tão bela e tão moderna para a minha realidade.
vigia-me através deste círculo de outros séculos
a questionar o meu pensar e, por certo,
a não entender esta frívola existência minha).
os sonhos meus dizem adeus e fogem dos meus olhos.
é tão inevitável tentar não sentir,
mas com que força posso resistir se não resisto
ao fato simples,
a compreensão natural
de que posso querer tudo e não ser nada,
ser estada, apenas, para as coisas que sobrevivem para
__________________________________ a eternidade.
que pavorosos são os crimes e as confidências de minha
________________________________________carne!
sentir e não entender,
dar vazão ao que não se pode conter
e brincar de sobrevivência e de pensamentos tantos...
ajoelho-me, diante de ti,
nevoento e absurdo
dou-te os meus delírios,
numa desalmada penitência para os atos meus.
sei não ser crido e, sei também, não ser absolvido.
mas, que posso eu, nesta fúria de desencontros, senão,
prostrar-me numa orgia monstruosa e tocar os teus pés
que seguem para direções outras que não, âncora de mim.
a ti, apenas, o meu pedido derradeiro,
_______________a minha clemência!
lança-me as águas
e me deixa ignoto de latitudes de longitudes,
de portos ou ilhas.
faz com que se apague este fogo a me queimar a alma.
talvez eu encontre assim, em sufoco e espanto,
o entendimento das coisas que pairam, simplesmente
___________________________________por pairar.
que eu aprenda a desimportância do sentir,
compreendendo, assim,
a minha tolice nata para estas coisas irreais
que se materializam no coração
e fazem tudo ser tão seriamente construído.
[daufen bach.]


Dolores Jardim
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terça-feira, 10 de maio de 2016

Luiza Caetano

                                         MÃE - DOLORES
Eu queria chamar-te mãe
onde Mãe apenas uma existe
de seu útero
de umbilicais amores
raízes que enterra na terra
amores de sangue-líame e vida.
Ás vezes chamo-te Mãe
Do fundo da minha orfandade
Chamo-te irmã e amiga
Nesta amálgama de saudade
É quando me sinto perdida
Mais só na minha solidão
que meu coração se agita
te clama quase em mistura
de puros sentimentos ou amargura
Mãe, Amiga, Irmã
Colo e ombro dos meus momentos
DIA DA MÃE 2015
Homenagem â minha querida amiga Dolores
Tela e poema de Luiza Caetano.