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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"PARA ALÉM " de Luiza Caetano

"POEMAS DE AMOR E DE RAIVA"




Feliz e abençoado fim de semana!

Partilhando poesia, que é do que mais gosto...

PARA ALÉM

Para além das tuas
e das minhas lágrimas,
da tua e da minha dor,
num Adeus sem alma
nem cor
Para além
da morte de todos os dias
com a saudade afogada
no peito
pelas palavras não ditas

Para além de todas as limitações
e das distãncias infinitas

Fica o eterno futuro
feito de silêncio
como um muro

Luiza Caetano

(respeitem os direitos autorais)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

As luzes da Beleza, da Harmonia, da PAZ PROFUNDA, estejam sempre presentes em 2012!!!

à minha querida amiga, minha Fulô di SumPalo, com Beijos e Rosas!


SOU VIAJANTE DO TEMPO

Sou errante...
Sou cigana...
Sou Viajante do Tempo.
Mas, sempre volto à ternura que me prende,
ao sorriso que me adocica
ao olhar em que mergulho,
às palavras que me embalam e me encantam.
Eu vou e volto.
Sempre!

NEFERTARI(JuditMartins)

sábado, 3 de dezembro de 2011

CARTA POÉTICA A SÍLVIA WAJÃPI./Maia de Melo Lopo. Lisboa - Portugal. 11.


(Foto retirada do Google)





CARTA POÉTICA A SÍLVIA WAJÃPI.


Linda, linda, linda, a mais doce índia Wajãpi,
mulher tão nobre e distinta eu jamais vi,
lutando pelas tradições e suas línguas,
Wajãpi, Wajãpi.
Verdadeira nativa indígena, voz embargada,
fiquei emocionada pela honra e tanto brio,
linda linda, a emotiva nativa do rio,
Wajãpi, admirável Wajãpi.
Alma aberta nas águas fundas, amuleto mágico tua pedrinha,
menina corajosa, mãe de treze anos tão sózinha,
Sílvia Wajãpi.
Triste, viste a pouca sorte em ferida,
furada com farpas de madeira na barriga,
no hospital sofres dores profundas,
e em busca do sonho na grande cidade,
foges da mata aos catorze, valente Wajãpi.

Infeliz adeus, pensamentos intímos, beleza, única verdade,
roída fartamente de pobreza, na mais dura tristeza,
estremecida Wajãpi.
Linda, linda, linda criança, dura lembrança,
com valores mais caros, recordas tua terra,
na mágica fé, perdida andas a pé, cruzas as ruas,
longe dos prazeres curas a solidão,
vendes a pedra matas a fome pela tua bandeira,
aliança de luta e vontade Wajãpi, Wajãpi.
O mérito foge da riqueza, és digna guerreira,
a mais linda mulher brasileira, que eu jamais vi.
pura Wajãpi.
Tanto chorou e sensível sorri,
Louco sacrifício, a patriota aprende as letras,
foi na escola de pobre camisola com um só botão,
Wajãpi, ai, Wajãpi.

Delirante desejo, estear a suprema bandeira,
as meninas brancas no oficío e fileira,
em cinísmo professoras magoaram,
te negaram o direito sem razão,
Wajãpi, Wajãpi.
Nervosa puxou as saias das educadoras, implorou,
lúcida e humilhada se machucou a verdadeira menina,
desgostosa, cheia de canseira, chorou desilusão,
na decência o estorvo, é castigo tua existência,
a mais rara mulher que eu jamais vi,
Wajãpi, Wajãpi.
O amigo camelôt, a sobrinha te deu tecto na pobre casinha,
foi caridade e teu pivôt,
linda índia trabalhaste, vendeste livros, desconhecida na vida,
leste poesia dos poetas, estudaste com bolsa de estudo,
e na caça não perdeste atributo.

Livraste-te de rude tarado,
alguém teve cuidado, protegeu-te do mal,
teu corpo de virtude na louca perfeição, ao abandono e desprezo,
astuta menina Wajãpi, leal Wajãpi.
aprendeste a correr foste atleta profissional,
andando por aqui, dançando por ali,
tua boca ardendo em beijos de luz, mulher alma e sentimento,
inconformada, sublime e inquieta,
abraçada a suas crenças, massa de gente inculta,
ninguém logrou desvendar, peça de tabuleiro,
o mistério glorificado na florescência eterna,
exemplo p`ro mundo inteiro,
e no preço da vergonha Sílvia Wajãpi,
és o orgulho imperecível, se distingue de outra raça,
nos teus lábios a família, carácter afectivo, amor por inteiro,
nas bocas da raça de qualquer raça, Wajãpi.

Tão diferentes, na selva, tua tribo,
povo amado pais e filhos, coração leal a palpitar de amor,
escrevem os ventos no teu país Brasileiro,
Wajãpi, distinta jovem Wajãpi,
a linda, a mais invisível que eu jamais vi.
Muitos séculos passaram, indígenas em grupos,
chefes em casernas sem estados constituídos,
seguindo avante, a história das descobertas nos apontam,
que Cabral em vez de visitante, foi assaltante,
o primeiro ladrão e agressor dos primitivos.
Ah... patriota Wajãpi, uma afronta perturbante,
cumprindo ordens do rei, nos males do destino,
navegou em Caravelas os mares das tormentas,
deu as mãos, enfrentou pelo mundo leis e piratas,
jesuítas e cristianismo, irritantes inspirados,
não foram só os portugueses o terror dos diabos.

No culto dos avós espíritos de obidiência se fundem,
aos amigos chefes deuses do futuro, firmes e hábeis anciãos,
graciosa índia Sílvia Wajãpi.
Na submissão ao dirigente de raízes profundas,
baptizam crianças em templos, festejam os valores com alegria,
oferecem presentes místicos, protegem enfermidades,
salvaram-se de males e da droga de inimigos,
vivem de fraternidade e na brisa da solidariedade,
escrevo para ti, mulher de brilho Wajãpi.
A carícia consoladora do entardecer traz saudades,
os canais, a flora mutilada em medonhas convulsões,
trovoadas, chuvas torrenciais, alagando planuras e rios,
instintivas repugnâncias, abandonos e aversões,
senhora guerreira Wajãpi, perfume de rosa,
no drama da criadora e espectacular natureza,
amor passional, soberana Pátria tão grandiosa.

A posteridade libertou a lei da morte,
a morte febril do materialismo afinal ainda mata,
atinge a influência ocidental o injusto e nefasto,
produzido em efeitos e contradições,
estatutos, mitos, Índia Wajãpi.
Outro amigo português no sentimento e gentil cortezia,
vos cingiu e abraçou, se distinguiu a alma cativante,
expulsou invasores espanhóis, chamaram-lhe ignorante,
no trágico desfecho de Manaus pelo Solimões,
salvou com furor a tua selva, no sangue derramado foi vaiado,
no Ocidente bode expiatório,
o poder do conforto nos dias que correm faz velório,
e no idealismo pernicioso afirma o adversário,
a comunidade humana e integração social,
encanto dos mais belos corajosos, Sílvia Wajãpi.

Perante a abolição da morte,
pioneiros exploradores da borracha, traídos nas riquezas,
e no decorrer dos tempos, na sucessão de gerações,
os incidentes dos povos e populares supertições,
manadas de boiadeiros, bois enfeitados com guizos de ouro,
religiosos fazendeiros, poderosos autoritários,
sem justiça financeira, andam os Zé ninguém sem terra,
astros luminosos nas descobertas inigualáveis,
submetem-se ás vontades das rudes ganâncias,
canalhas desumanos esmagam capim, fazem calúnias e horror,
num dia assumem o medo e em Bonfim ofendem Nosso Senhor,
humilharam, mataram Chico Mendes homem de fé e crente,
dão tiro no peito e na tua alma Wajãpi,
monopólios da madeira, disputas disfarçadas em sorrisos,
julgam o procedimento de quem não conhecem,
é crime no mato e em frente matam tanta gente, Wajãpi.

Condenados em contendas e desastres,
a listas de criminosos ou raios de maus olhados,
Oh, Wajãpi a mais linda índia que eu jamais vi,
perspicaz Wajãpi.
Sim, nós conjuntamente no alto reconhecimento,
na linguagem rica, é a língua ilustrada de um povo,
misturada nas origens, Marquês de Pombal distinguiu cada cidadão,
na maravilhosa afinidade de qualquer coração,
tu na cidade ou aldeia, eu a branca Europeia podia ser mestiça,
sou portuguesa e sem vaidade, nem me sentarei á tua mesa,
na dessemelhança emotiva e sem graça,
delicada Wajãpi,
mulher séria, no tempo livre de pecados,
não me escapou o intangível perfil moral,
fulgores de orgulhosa glória fazes história racial,
sem resignação, adoras teus filhos e contemplas o sol.

Ai, o teu lindo sol… sabes? O vejo por aqui no Tejo, meu rio,
Também tenho um rio em Portugal que é teu,
Porque quero para ti sincero prazer, na ilusão sempre senti,
as gaivotas que escrevem no céu a aventura,
traineiras e cacelheiros levam o amor Lusitano,
marinheiros ouvem guitarras diante as estrelas,
cantam de paixão e alegria o fado vadio,
saudades da Pátria recordam a dor em cristais de luar,
e desliza a orgulhosa mensagem da minha solidão,
em ruelas pobres de Alfama, ou nos tristes telhados e janelas,
pois tuas lágrimas chegaram em lenços de fogo,
e acenaram infortúnios e vitórias a este mar.
És arte em destaque, essência de anjo, prémio da vida,
e na opinião pública, o Brasil Civil deve orgulhar-se de ti,
eu muito gostaria de te ter como amiga,
Wajãpi, sincera e honrada Wajãpi.

A graciosa mãe de raíz, legado da terra és tu,
na escala social e existência humana,
de tantas mulheres distintas e cultas,
tu és a mais brilhante e gentil, a mais franca Wajãpi,
quem ri de ti é fútil e não tem vergonha,
são mascarados na podridão e peçonha,
nem vermes ou cães te perseguem,
em orgulho e admiração gentes não te esqueçam,
dancem, elaborem palestras nos sertões sem bajulação,
beijem o silêncio do chão por onde pisas,
Ah... requintada e simples Wajãpi.
Tal como Deus ama e deseja almas no céu,
em homenagem dás o sangue, o amor, a morte,
defendes com a vida e rigor a grandeza do teu país,
unidade incondicional, és a essência do encanto feminino,
a frescura da selva é teu rústico lar, tua sorte.

Sou a gringa de Portugal e se de ti nada mereço,
meu coração português, a minha alma de Lisboa,
a dos reis, rainhas da Monarquia, Ministros tanto faz,
dos humildes poetas Camões e Pessoa,
me redimo pelos crimes da Nação,
não duvides, num adeus te peço desculpa ou perdão,
de culpas, ou erros dos meus antepassados, e sem recados,
este poema restitua á tua Pátria a honra,
sem ofensas aos teus soberanos,
e com respeito te ofereço, meu sentimento, minha paz,
Wajãpi, venturosa Wajãpi, no desafio serás sempre a primeira,
para o serviço da guerra, aspirante a oficial,
no ilustre Exército das Forças Armadas,
a mais brilhante militar que de orgulho fardada,
cumpriu o que jurou e cantou o Hino Nacional,
esteou a bandeira do Brasil, a Wajãpi, Wajãpi.

Uma águia branca, belo vulto cultural,
tuas mãos unidas em fervorosas preces,
desde Porto Alegre, Iguaçu, até Acre, Rondónia e Ceará,
que em Tupi Guarani sejas sempre a mais bela,
haja cânticos de todos os dias, homenagens a tantos índios,
os puros animais, itatiaias do Rio, bandos de pássaros,
garças de neve em Recife, colibris da Bhaía e araras de Minas,
plantas ou insectos de Mato Grosso e Cuiabá,
coroada de amor na chuva garoa e divinas flores do Pantanal,
na vida inteira sejas a mais feliz, hilariante índia do Amazonas,
a mais nobre e corajosa da selva Brasileira,
a sentir meu coração diz do lado de cá,
Deus abençoe teu nome, tua história,
és, a mais linda mulher em glória,
a bem aventurada que eu jamais vi.
Silvía Wajãpi.


Maia de Melo Lopo.
Lisboa - Portugal. 11.

Poetiza de Poetas del Mundo.
Embaixadora Universal da Paz-Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix-France & Genève Suisse.

http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_europa.asp?ID=7337