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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Djanira Pio

Djanira Pio, professora aposentada, nasceu em Santa Rita do Passa Quatro (SP). Escritora alternativa, tem publicações na França, Portugal e Itália. Escreve poemas, contos, minicontos, crônicas e romances. Tem livros publicados, entre eles: Fragmentos (contos),  O Tamanho da Vida(minicontos), a trilogia romanceada: A Cidade dos SonhosUm Canteiro de Margaridas e Seu Nome era Susana Escreve poemas, contos, minicontos, crônicas e romances. Tem livros publicados, entre eles: Fragmentos (contos),  O Tamanho da Vida(minicontos), a trilogia romanceada: A Cidade dos SonhosUm Canteiro de Margaridas e Seu Nome era Susana


Dor

Caminhei olhando para o chão.
Segui distraída
sem ouvir os pássaros.
Não percebi o próximo
e me julguei
sózinha.
Estranha vivente
não pertencente.
Inútil
foi viver
como morta,
enquanto viva.






 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Naldo Velho

Os que falam a linguagem das coisas
(Imagem colhida no google)




Os que falam a linguagem das coisas
costumam saber dos cochichos das folhas
e das águas que correm os segredos que há.
Conversam, assim como conversam as pessoas,
com as cigarras, os colibris e as sabiás;
sabem até pronunciar palavras de anjo
e com elas amansar ventania,
acalmar choro de criança, fazer poesia...

Outro dia conheci um que falava com as pedras,
dizia que elas sabiam do tempo e do quanto
ainda havia de tempo pro tempo passar.
Dizia que longe pras bandas de onde,
o rio encontrava com as águas do mar,
havia um rochedo que sabia de um tempo
de um Deus ainda menino
que de travessura em travessura
havia criado tudo o que há.
Pedra sabida! Bem antiga!

Mas existem os que só falam a linguagem das sombras;
esquisitos e apressados, só vivem zangados,
não conseguem sonhar, nem pensar colorido,
não sabem do sorriso, do carinho e da saudade,
pois para eles, sentir falta de alguém é pura bobagem!
De poesia, então, nem querem ouvir falar!

Ainda bem que existem outros,
os que vivem querendo aprender a sonhar colorido...
Quem sabe um dia eu possa ser igualzinho
aos que sabem palavras de anjo,
e com elas amansar ventanias, acalmar criança assustada,
fazer poesia..

Jorge Lima

UMA ESPÉCIE DE CAÇA AO TESOURO ÀS AVESSAS 

Pra toda caça bem sucedida 
há a hora certa.
Iguarias intermináveis
nós as encontramos na Amazônia.
Basta estar empunhando arco e flecha
E ter ao menos um pouco de paciência. 

Gato não vale, 
Por que é bicho domesticável.
Cachorro por outro lado, idem,
Pois na rua nós o encontramos aos bocados.

Daí o caçador presencia inusitada cena:
O Uirapuru, ciente do valor de seu canto,
abre asas para uma coruja
a fim de que juntos,
Descobrissem a melhor rota de voo
rumo a um território novo.

Mas a coruja ficou desconfiada
Achando que o outro queria usurpar o seu
desmedido estoque de sabedoria.

A rara ave amazônida, por sua vez, cantou e dançou ali
Demonstrando que também ele alguma riqueza
possuía.

A coruja, afinal, se fechou.
Alguns segundos depois
ao amigo propôs
Que topava a parceria, mas com uma condição.
Que o Uirapuru não cantasse nem dançasse em
quintais vizinhos.

Pois com um dos olhos feridos
A coruja olhava para o uirapuru
como se ele fosse rato e não um pássaro.

Daí pensou, a exótica ave:
“Há espécies de coruja que não se encontram
em extinção.
Vou atrás de outra, que tenha mais paciência e
consiga enxergar a mina de ouro presente
em meu libertário coração.”

Jorge lima 21/10/2013 Belém-Pará

( Imagem foto search)

Jorge Lima

ROTINA: O QUASE ENTERRO DE UMA RELAÇÃO

Para que o amor seja eterno enquanto dure...
Regar o jardim do quintal de casa 
deve ser uma constante,
Ainda que o casal num apartamento se encontre,
Improvisa-se,
O canteiro da rua mais próxima: 
uma oportunidade.

Que a flor arrancada pra alguém
pouco a pouco vai perdendo o perfume,
Isso é fato.
Por isso, quando murcha, faz-se necessário
a busca por outra e assim por diante.

Uma flor volta e meia,
Uma forma de manter concreto
o substantivo amor ao longo do dia-dia.
Uma chama que sempre se reacende
Como a do jantar a luz de vela,
Ou numa noite de inverno:
Inesperada xícara de café quente.

Protegendo assim o dito jardim das intempéries,
Advém ampla durabilidade.
Caso contrário,
Uma exposição dele à intensa frieza, por exemplo,
Faz com que o gelo se quebre ao primeiro tropeço,
Quebrando-se junto o jardim inteiro.

Eterno enquanto dure,
Regar-se o amor num movimento constante
Para que as flores não terminem numa solenidade fúnebre.

Jorge Lima, Belém-Pará , 07/10/2013
(imagem colhida no google).

Jorge Lima

DUAS OPÇÕES, MAS UMA SÓ ESCOLHA.

Uma família se vê diante de uma senhora inundação, estando por sobre parte do telhado que por enquanto ainda não fôra engolido pela água. A mãe, o filho e os avós maternos deste encontram-se lá, todos juntos, ao passo que impiedosamente a água sobe, um tanto faminta. 
Do outro lado da rua, ou melhor, do outro lado do rio, situa-se um lugar aparentemente seguro. Um prédio de dois andares, que ainda estava em fase de construção. Mas que para chegar até o mesmo, seria preciso enfrentar a força da correnteza cerca de vinte metros.
De repente, em meio a alguns destroços de madeira sendo arrastados, um pedaço de porta passa ao alcance da mãe, que naturalmente era quem liderava o grupo em perigo. Por pouco então ela não cai no rio da rua. Agora com uma espécie de prancha na mão, havia a real oportunidade de se salvar. De se salvar? Salvar a si, só?
Em casas vizinhas havia muita gente solidária com aquela mãe. Alguns sugeriam um caminho ou outro, de forma assim ou assada. No entanto a decisão só quem podia tomar era aquela mãe e filha ao mesmo tempo. Situação complicada. Enquanto isso, amigos, a água avança tal como tubarão indo atrás da presa, faltando quase nada para que a casa fique submersa por completo.
A porta então passa a ser examinada. Conclui-se que o peso da mãe, ela aguentaria. Mas somando-o com o do filho; daí a dúvida então boiava com força. A prancha poderia querer afundar em alguns momentos e o pior, que Deus os livrassem... Melhor nem dizer. O fato é que a travessia trazia medo.

- A prancha aguenta vocês dois, pode ir sem medo. Dizia uma voz.

- É melhor você ir sozinha primeiro pra lá, para o prédio, apanha de lá alguma peça de madeira maior que essa e volta pra pegar seu filho. Depois voltando de novo pra pegar seus pais. Disse outra voz.

Analisando bem a segunda opção, a mãe viu que poderia não dar tempo de voltar e pegar o filho, dada a forte chuva que ainda caía. Talvez desse tempo, talvez não. Enfim, a única certeza ali visível era que a indecisão trazia certo sufocamento a essa pobre mãe, como se ela já estivesse sendo afogada. Pois ela tinha de escolher, e não poderia mais demorar. Já que o rio da rua já cobria todo o teto da plataforma onde sua família se assegurava. A mãe, mesmo depois de muito titubear, agora enfim se sentiu empurrada por seu instinto. Antes d’ela tomar nos braços, seu filhote, olhou para os seus pais, os avós da criança. Com muito custo o neto saiu do braço deles, depois de um emocionante abraço de despedida.

- Vão à frente, meus amores. Não se preocupem conosco. Vocês têm muito mais tempo pra viver do que nós. Neste momento é a lógica natural das coisas quem decide.

O menino era muito apegado aos avós e foi com a mãe jorrando lágrimas rumo à arriscada travessia...

Mãe e filho juntos devem ter engolido uns quatro litros de água, mas enfim chegaram a salvos do outro lado. Os dois sofreram nessa travessia como todos também sofrem com outras formas de travessia.
Mas afinal eis que um helicóptero aparece com uma providencial corda, sendo arremessada em direção aos avós do dito menino. Eles até já se conformavam com a morte, mas o milagre acontecera.
JORGE LIMA, BELÉM-PA (22/10/2013)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Cecília Fidelli.




Biografia.

Poetisa e editora dos Alternativos Culturais "Reviragita Poesia" e Letra Viva, de 1989 a 2003.

Pertence a várias Instituições Culturais do país, com artigos publicados em diversos jornais do Brasil.

Participações em coletâneas e convidada especial em livros de poesias.

Prefaciou o livro "Poemas domados sob o signo da lua, " do jornalista Anand Rao, além de diversas publicações independentes, publicações com o apoio da extinta, Sociedade dos Poetas Alternativos- SP.

Muitos prêmios e diversas homenagens como "A Poetisa Destaque do Underground Brasileiro, em 1998, 1999 e 2000.












Somos únicos
em nossos caminhos,
mas nem sempre
caminhamos com a razão.
Percorremos
muitos quilômetros em segundos...
Às vezes lutamos,
às vezes,
 esmorecemos.
Não que sejamos enigmáticos.
Estamos apenas,
internados num corpo
humano.
Na expectativa,
até que nossa sentinela
baixe a guarda,
e fulmine nossos corações.
(^ - ^)

Cecília Fidelli.







Ela.
Magnífica
 lua.
Condição,
absoluta!

Cecília Fidelli






Juventude
é um lugarejo da alma
 inacreditável
de excessivas ânsias anônimas
 gritantes,
tentanto abranger o todo,
com a intensidade da vontade
de encontrar-se.

Cecília Fidelli.






Não foi nada.
Só um transe.
Esquecí.
Apaguei o que fui.
Terminei tudo o que estava na espera.
Acabei com os rótulos.
Os ódios.
Sinto-me aliviada.
Mas,
 não foi por causa da chuveirada.
Foi um sentimento brusco
de alma calma.
Foi o tempo.
O silêncio de todo o tempo
que se calou no passado.
Refletí sobre os equívocos.
Imagine...
Nem era o meu intento
enterrar as sombras,
trilhar novos caminhos.
Momentos de lucidez
fazem o coração bater
muito mais calmamente.
Desconfio que me anestesiei,
renascí ou então,
enlouquecí de vez.

Cecília Fidelli.










Passando,
passando.
Entretanto,
ficando.
Nos lugares,
nas pessoas,
nas tristezas,
nos entusiasmos.
Nos dias
e nas noites,
incontamináveis.

Cecília Fidelli.







Se te sugam, perdoa e esquece...


Tempestades passam.
Isso é inquestionável.
E a sensação de refazimento
com a chegada do sol,
é um dos indicadores
de que as angústias do Outono
ou de qualquer outra estação,
são períodos generosos
ao aprendizado humano.
Circunstâncias surgem
mas vão-se embora
deixando o ar purificado,
lavando o céu,
levando embora
as substâncias tóxicas.
Miasmas estacionam
temporàriamente
e seguem sugando outras energias,
explorando novas emoções.

Cecília Fidelli.
























quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Rachel D. Moraes


Com seu rendilhado de nuvens baixas,
A lua em sua sonhadora obscuridade
Olhava...
Ela era a estrelinha que caminhava,
Trajando lume e orvalho.
Seus cílios roçavam suas faces rosadas.
Os cabelos dançavam nos ombros
Com doces beijos úmidos.

Passe, passe princesinha de luz!
Olhe os canteiros que Deus
Plantou para você.

Deixem-na passar!
Dizem as pedras, tombadas no caminho.
Deixem-na passar! Dizem os regatos.
E ela mira-se neles
Como num espelho.

Todas as árvores se curvam à ela
Dando boas vindas.

Ela só deu uma ultima olhada aos céus,
E seguiu em frente.
Flutuava de tão contente!
Trazia o coração palpitante,
Por se saber esperada e amada.

E na superfície do mundo,
Deixou-se nascer,
Luminosa,
Como as Estrelas costumam ser!

Rachel D. Moraes

"MULHER LUA"


"MULHER - LUA"

Brilhante
como as mãos
de um amante
afagando
o dorso
da Lua...


Ardente
mais ardente
que a fome!

Sedenta!
mais sedenta
que a fonte!

Água de beber!
Pluma leve!

Como um sonho
ou uma asa
no zénite
longuínquo
do horizonte.

Uma canção
feita de Mulher
e
de Lua

perpassa suavemente
na face oculta
da tua concha núa

MULHER - LUA


LuizaCaetano 

Luiza Caetano

"ÓSCULO DO VAMPIRO"
"PORQUÊ?"

É muito fácil fugir
dum pássaro que parece engaiolado?

Lêdo engano!

É muito fácil
a meia verdade esculpida
entre a cumplicidade
do cafézinho na escada
na horazinha lascada?

Ledo engano?

Até os pássaros leeiem
cantam e riem na hora
pressentindo a velha história

"Vou! Não vou! Ou talvez irei..."

tenta respirar devagar
lentamente e com verdade
porque a ave é implacável
habituada á história.

Que oportunamente se repete
no interior das palavras
Mete! não mete ou mente?

Simplesmente palha
que em mim arde e desprezo!

Rasgo a máscara no espelho
te deixando na outra margem
feita sombra e esquecimento

2009/03/05
Luiza Caetano

o Voo da Águia"

" O VOO DA ÁGUIA"


Olha essa passarada
no céu da minha alvorada

Negros pássaros amargos
sem horizontes libertos
magoados pela inveja
da liberdade da águia

são corvos disputando
nas margens de cada regato
como urubus famintos

Corvos negros de voo rasante
invejando as estrelas
na sua cadência brilhante


Coxos da alma, esmolantes
famintos e deturpados

Como vendilhões do templo
mascarados de razão

Eles não sabem
nem sonham
que a verdadeira emoção

está
na liberdade de voar...

Plenamente!

Luiza Caetano 

"NÃO"

" N Ã O ! "

Não queiras abrir as portas e as janelas
e
submeter-me ao teu universo limitado!


Não me conduza ao constrangimento 
de 
perceber que as tuas "cercas"
se baseiam em espaços 
que tu mesmo reduziste.

Sou natureza plena e inteira,
em qualquer circunstância!

Não "fragmento" 
ante à realidade que tu
fazes questão de omitir e mascarar!

Não me peças gestos e movimentos em direção à ti,
porque tal e qual o Sol,
não conseguirás impedir

inevitável expansão da minha claridade.

Bianca

VÓRTICE DE ÁGUA.

"VÓRTICE DE ÁGUA"

Rio substantivo
boca de duas margens
dragado pra não morrer.

Gota a gota te afogaram
em
corrente de foz nenhuma!


sede! cálice! água
seco como a mágoa
dum deserto a acontecer.

Foram-se embora os cisnes
que no teu dorso
já não fazem amor,

linhas de vidro rasgadas
dor jorrada em fontes mágoa

Boca de duas margens
líquido exangue a morrer

Luiza Caetano

Julio Teixeira

Capela branca
Não violente a brisa 
Exalada de nossas emoções
Nem se distraia nas estrelas
A contar outros corações... 
O sentimento é muito frágil 
E quando maculado
Nosso leito de dormir,
Antes do dia se abrir
O encanto é quebrado.
Como gotas de orvalho 
Pendentes das flores
E dos anjos solfejos
Delicados se cantores,
Pendurei o teu retrato
Na galeria imortal 
Dos meus amores.
Mas delicado véu 
Tecido de cristal
Envolve meu coração:
Quebrado se vai ao léu 
Perfume desta emoção.
Por isso meu amor 
Tenha cautela!
Que o templo desta flor
É minha humilde capela.

Júlio Teixeira

Leninha- Sol

LUA ...

EM QUE FASE ESTÁS SER LINDO?
QUAL DELES...
MINGUANTE...CHEIA...CRESCENTE...NOVA?...
CADA UMA DELAS COM SEUS MOTIVOS DE VIR...
A LUA QUE ENFEITA O CÉU...
NAS NOITES SOLITÁRIAS DE UM POETA...
LUA QUE ACARICIA A LÁGRIMA ...
QUE SE FAZ BRILHANTE COM SEU RAIO PRATA...
ACONCHEGO GOSTOSO DOS AMANTES...
OLHOS PERDIDOS ... AMA....
AH...LUA!...
JÁ FOSTES TANTOS TEMAS...
VIVEU NO PASSADO....NOS ROMANCES...
ESTAS AQUI...CONTINUAS...
COM A MESMA BELEZA....
ME CONTA A FORMULA....
CONTA PRA MIM...
TEU FASCÍNIO SEM FIM....
QUE GUARDAS DENTRO DE TI...
QUE TE ALIMENTA...
QUE TE FAZ FICAR...FICAR E FICAR....
PARECES NÃO TER PRESSA....
AMAS DE MANSINHO...
E NESSE TEMPO....
TE DÁS POR INTEIRA....
A CADA UM QUE TE QUEIRA AMAR....

(LENINHA Sol)

O Silêncio das Palavras

O SILÊNCIO DAS PALAVRAS

Palavras
são como hinos
feitos poemas!

São emblemas, 
estandartes da emoção
todos os dias castradas
por alguma convencional razão.

Há um silêncio de catedral
em cada palavra
esculpida de riso
e de lágrimas
em cada manhã
despenteada pelo vento,

Como se quisessem
acordar o espanto 
ferido de sonho
no limiar do sol.

Enquanto elas, 
as palavras
dóiem na fronteira
das limitações
como estilhaços
que se querem quebrar.

Luiza Caetano