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sábado, 24 de outubro de 2009

POESIA ARCADE

POESIA ÁRCADE

As principais características são o bucolismo, o pastoralismo, o objetivismo e o retorno à antigüidade clássica.


Principais autores e obras:
Tomás Antonio Gonzaga - "Marília de Dirceu";
Claudio Manuel da Costa - "Vila Rica" ;
José Basílio da Gama - "O Uruguai".



Soneto
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo tímido esmoreço.

Uma ponte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado!
Ali em vale um monte está mudado
Quanto pode aos anos o progresso!

Árvores que vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era
Mas venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!

Cláudio Manuel da Costa





"Marília de Dirceu"
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro
que viva de guardar alheio gado,
de tosco trato, de expressões grosseiro,
de frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
dá-me vinho, legume, fruta e azeite;
das brancas ovelhinhas tiro o leite
e as mais finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte:
dos anos inda não está cortado;
os pastores que habitam este monte
respeitam o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha
que inveja até me tem o próprio Alceste:
ao som dela concerta a voz celeste,
nem canto letra que não seja minha.
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!

Mas tendo tantos dotes de ventura,
só apreço lhe dou, gentil pastora,
depois que o teu afeto me segura
que queres do que tenho ser senhora
É bom, minha Marília, é bom ser dono
de um rebanho, que cubra monte e prado;
porém gentil pastora, o teu agrado
vale mais que um rebanho e mais que um trono.
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!

Os teus olhos espalham luz divina,
a quem a luz do sol em vão se atreve
papoila ou rosa delicada e fina
te cobre as faces, que são cor da neve.
Os teus cabelos são uns fios d'ouro;
teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! não, não fez o céu, gentil pastora,
para glória de amor igual tesouro!
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!

Tomás Antonio Gonzaga