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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Quem é João Jacinto??????????


João Jacinto, nasceu em Montijo, no dia 22 de Junho de 1959.

Em Dezembro de 2006 foi publicado o seu primeiro livro de poesia “(Re)cantos da Lua”, pela Magna Editora.
http://magna-editora.com/new-page.htm



Ilha do paraíso

Navego numa caravela de esperança,
sobre as ondas inquietas
de um mar ainda revolto.
Espero dar à costa numa ilha
ainda selvagem de vícios,
medos, sofrimento...
E viver comigo no paraíso,
sabendo (a)mar.

João jacinto



Mortais pecados
Olho-me ao espelho, debruado de talha
luminosamente esculpida, dourada
e pergunto-me ao espanto das respostas,
na assumida personagem de rainha má,
quem sou, para o que dou, quem me dá.
Miro-me na volumetria das imagens
cobertas de peles enrugadas,
vincadamente marcadas
por exageros expressivos,
de choros entre risos,
plantados nos ansiosos ritmos do tempo.
Profundos e negros pontos,
poros de milimétricos diâmetros,
sombras cinzentas, castanhos pelos,
brancas perdidas entre cabelos,
perfil de perfeita raiz de gregos,
boca carnuda, gretada de secura,
sedenta de saudosos e sugados beijos
de línguas entrelaçadas,
lambidelas bem salivadas.

Contemplo-me, fixado no meu próprio olhar
de cor baça tristeza,
desfocando a máscara, de pálido cansaço
e não resisto ao embaraço de narciso;
sou o deus que procurei e amei,
em cumprimento do milagre
ou o mal que de tanto me obrigar, reneguei?
Sou o miraculoso encantador a quem me dei
ou a raposa velha, vaidosa, vestida de egoísta,
com estola de alva ovelha, falsa de altruísta? 4 jul Poeta
No meu lamento, a amargura porque matei.
Sangrando a vítima, trucidei-a em ranger de molares,
saboreei nas gustativas variados paladares,
viciadas no prazer da gula do instintivo porco omnívoro.


Rezo baixinho, cantarolando, beatas ladainhas
de pecador que se rouba e se perdoa
a cem anos de encarceramento.


No aliciamento cobiçante de coxas,
pertença de quem constantemente
me enfrenta, competindo nas mesmas forças,
traindo-me na existência do meu possuir.
Viradas as costas, acabamos sempre por fingir.
Entendo velhos e sábios ditados,
não os querendo surdinar em consciência.
Penso de mim, a importância demais,
que outros possam entender,
sendo comuns mortais.
Minha é a inteligente
certeza do enganar e vencer.


Sadicamente esbofeteio
rechonchuda face de idealista tímido,
de quem acredita e se deixa humilhar,
dá-me a outra, para também a avermelhar.


Vendo-me a infinitas e elegantes riquezas;
luxúrias terrenas, orgias, bacantes incestuosas,
sedas, glamour, jóias preciosas,
etiquetas de marca,
marcantemente conotadas,
que pavoneiam a intensa profundidade da alma.
Salvas rebuscadas, brilhantes de pesada prata,
riscadas de branco e fino pó.
Prostituo-me ao preço da mais valia,
me excita de travesti Madalena.
Ter um guru para me defumar, benzer e perdoar,
sem que me caia uma pedra na cauda. 4 jul Poeta
Adoro o teatro espectacular,
encenado e ensaiado em vida,
mas faço sempre de pobre amador,
sendo um resistente actor.
Escancaro a garganta para trautear,
sem saber solfejar,
gargarejo a seiva da videira,
que me escorre pelo escapismo do meu engano,
querendo audaciosamente brilhar,
descontrolando o encarrilhar,
do instrumento das cordas da glote,
com a do instrumento pulmonar
e desafino o doce e melódico hino.


Sou no vedetismo a mediocridade,
que se desfaz com o tempo,
até ser capaz de timbrar,
sem ser pateado.
Acelero nas viagens
que caminham até mim,
fujo do lento e travo demais.
Curvas perigosas, apertadas,
que adrenalinam a fronteira do abismo.
Fumo, bebo em excesso
e converso temas banais
por entre ondas móveis,
que me encurtam a pomposa solidão.
Nada é em vão.

Tenho na dicção um tom vibrado e estudado
de dizer bem as palavras que sinto,
mas premeditadamente minto
e digo com propósito sempre errado.
Sou mal-educado, demasiado carente,
enfadonho, que ressona e grunhe durante o sono.
Tenho sempre o apressado intuito do saber,
do querer arrogantemente chamar atenção,
por me achar condignamente o melhor, um senhor,
sem noção do que é a razão e o ridículo.

Digo não, quando deveria pronunciar sim.
Teimosamente rancoroso, tolo,
alucinado, perverso, mal-humorado,
vejo em tudo a maldade do pecado.
Digo não, quando deveria embelezar a afirmação.
Minto, digo e desfaço-me de propósito em negação.

Mas fiz a gloriosa descoberta do meu crescer,
tenho uma virtuosa e única qualidade;
alguém paciente gosta muito de mim.

Obrigado!

Tenho de descansar.
Cio
Olho para a noite
e apaixono-me
sob o encanto
pálido da Lua.
Adoeço em delírios
de imaginação,
vibrando em mim
um forte desejo de amar.
No cio da minha ansiedade,
procuro o simples prazer
na pureza de um corpo,
com os vícios do espírito.
Estrelas perdem-se na noite,
planetas bailam na noite,
misturam-se de nuvens,
para cobrir a sua nudez.
E na grandeza do espaço,
apaga-se a noite
por detrás de um dia.

Criar
Criar é uma forma de amar,
de dar e ser possuído.
É a divisão do nada,
a explosão infinita das ideias,
na multiplicidade dos sentidos.
É a fantasia da alma sofrida,
marcada pela realidade da carne.
É o entendimento do espaço no tempo,
na sensibilidade compactada de vontade sem limites.
É a força espontânea
da incontrolada angústia de viver.
É a transparência da semelhança,
que nos sobrepõe.
É o envelhecimento do espelho,
quando mais nada resta de nós.

E Deus
criou o Homem à sua imagem,
para que ele criasse a sua própria vida.
O tempo da idade
A verdade do tempo
condiciona a liberdade de viver.
Cronometramos a existência em silêncio,
com a ilusão da imortalidade,
retardando as rugas,
na aritmética do experimentalismo.
Persistimos na imaturidade do embrião,
sofremos da síndroma do umbigo.
Acreditamos que tudo ainda é lento,
quando já tanto escasseia.
Continuamos a negar as imagens do espelho,
concentrados na aparência
e favorecemo-nos na objectividade do momento.
Confundimo-nos no crescimento
de quem nos quer alcançar,
e recriamos o longe,
a quem está tão perto do fim.
Envolvemo-nos em elixires e deuses,
combatendo a frustração da esperança.
Acompanhamos expectantes,
em angústia as passadas da genética,
estimulando a virilidade laica da ciência.
Escondemo-nos das origens,
entretidos no pretensiosismo civilizacional.
Somos animais, mamíferos pensantes,
erectos, analíticos, emocionais,
com terminações nervosas,
frutos do pó da terra,
criados à imagem
de um Pai artista,
mas incógnito
e enteados de Darwin.


Procura
Dói-me, nas palavras,
o sentido que não emprego,
a vontade que encubro.
No significado vazio
dos meus sentimentos,
sinto-me perdido,
sonhando com a coragem
de me encontrar.
Doiem-me as memórias
deste corpo envelhecido de crescer,
que espera sucumbir,
compreendendo a pureza do amor.

Desencontro
Hoje, não consigo dizer-te nada.
Esforço-me e não consigo pensar.
Perco-me no desejo de te falar,
luto com as palavras
sem que as soletre,
vejo-te sem palavras
para me ajudares.
Perturbado pelo silêncio,
caio num sono profundo,
esquecido de ter, que acordar.


O Presente
Necessito voltar ao passado,
viver um breve momento,
o mais comum,
o menos importante.
Só para sentir-te,
amar-te,
aproveitar esse presente.
Nesta pena revivo
pedaços isolados
de tudo o que sou.
Choro com saudade
o que não serei,
sem conseguir retornar
ao longínquo passado
e mudar o teu presente.

2 comentários:

joão jacinto & poemas disse...

Grato, Dolores!
Que bem me sinto aqui no "seu encanto", entre poesia e amigos!

Um grande abraço,

joão jacinto

Dolores Quintão Jardim disse...

Obrigada,amigo poeta João Jacinto..este tem uma cadeira cativa para si..sua poesia e sua pessoa fazem parte deste "Mundo Encantado"