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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Nita V.Aguiar

"Poema a duas mãos"

Amei "Palavras mordidas",
tive vontade de ir atrás dos peixes luminosos...
de segurar nas asas de um pássaro alado,
sobrevoar o horizonte,
desvendar "Palavras mordidas",
catar marinheiros e
fazer um sarau pras velhas saudosas...


Pois podias ter entrado com o vento
pelas janelas adentro
e
verias
Quem sabe?
no horizonte a tal ave de rapina

Os marinheiros?
- estão levantando amarras

Sonhar é de graça,
pegarei carona com o vento,
conhecerei a tal ave de rapina,
não mais solitários,
buscaremos outros horizontes...

As caravelas, que hoje são grandes yates
levam e trazem gente e saudades.
Transportam sonhos e vagos receios...


Conheceremos os tais marinheiros?
Quem sabe?
Na via crucis da vida,
nos lançaremos ao mar,
e ao encontrá-la,
poetisa de Portugal,
ao som de Tchaikovsky,
cena:"Lago ao luar",
uma pérola com outra presentear...

(Luiza Caetano e Nita V. Aguiar)




"Flores..."




Tenho saudades
quando chegavas mansinho
braçadas de flores
todas as cores
enfeitar o ninho...

Homem forte, víril
envolvia-me
percorrendo cada
trilha do meu corpo
levando-me a devaneios
inimagináveis...

Murmúrios ao ouvido,
atraia-me inexoravelmente,
aflorando sensações.
Erotismo obscuro...
Vulcão insopitável!!!
EXORBITO-ME!!!
Pétalas de rosas
vida plena...

Saudades de tudo,
emoções guardadas,
flores, amores...

(Nita V. Aguiar)



“De saudades de Luiza”

Vaguei por Caminhos minados,
lembrei do Último momento com minha mãe,
No espaço vazio Da ilusão e do amor e das borboletas,
Senti-me como um Sorriso de palhaço triste,
espalhando Farrapos de risos nas Complexidades
daqueles que vivem Idiotamente contentes...

Como pode?
Hoje e todos os dias,
Rosas são assassinadas e, ainda, dizem Ser
Sempre em nome do amor
Deixando, assim, marcas e Ecos,
Bordados no Selo do tempo...

Sou Anônimo veneziano,
sou Pássaro de fogo,
sou Rainha descalça,
Sou gaivota, sou Lisboa,
que vive às Margens
à espera deUma aleluia lusitana
para preencher oEspaço vazio
existente in My dream...

Simplesmente, Eu queria ir por aí...
Apenas, recitando Um poema de esperança,
Espantando a Canção triste de madrugar,
Brincando de poeta,
Cantando uma canção amiga,
Por que a vida é amor,
Seres humanos são pérolas,
E,Viver é lindo,
Ontem, Hoje e Neste momento,
Apesar dosSilêncios das Saudades...
(Nita V. Aguiar)



Convite

Recebi um convite (visitar Sintra),
em meio a alguns saloios,
um tomou-me pela mão,
tomada pela mão, adentrei...

Olhando para frente,
para trás ou para os lados,
de soslaio, ENCANTADA!!!

Fui abduzida ou seduzida?

Múltiplas faces da linguagem eu vi:
a "Partida de Vasco da Gama para a Índia",
"Ilha de Vera Cruz"!!!

Vi "Deusas do rio",
"Fernando pessoa e Charles Chaplin", entre outros...
pessoas usando cravos vermelhos,
"Festejando o 25 de abril no Pelourinho"...

Vi também "Demoiselles da Ericeira",
"Namoro": "Malmequer? Bem me quer?"
Com tanto "Aborto", "Filhos do acaso",
não poderia faltar uma "Prece das Noivas a Santo Antônio"!!!

Vi principalmente uma mulher autêntica!!!
Um misto de simplicidade, criticidade e criatividade...
A tristeza queres espantar?
Vá a Portugal, saborear canetada e pincelada transcendental;
lá, há alguém que arranca som do vazio das palavras
e palavras do colorido das imagens...

Côncavo ou convexo? Não sei...
Vejo beleza, filosofia, harmonia e leveza
nas pinceladas de uma mulher portuguesa.

Acaso, Caetano é patrimônio de Portugal?
Ou seria universal?

Seja no Brasil, EUA, África, Turquia,
Suíça, França, Espanha ou Bélgica...
Por onde passar, com sua arte há de encantar!!

Mulher guerreira,
que na Aldeia de Venda do Pinheiro nasceu.
Deus escuta sua prece
e Ela, sua vida escreve...

Que encanto tens tu LUIZA,
que em palavras e tintas
te eternizas?

Carinhosamente, Nita V. Aguiar






Precisa-se de poesia...

poesia para enfeitar meu caminho,
poesia para florir minha vida,
poesia para ofertar aos amigos,
poesia para tranformar destinos,
poesia para lavar a alma,
poesia para realizar desejos,
poesia para semear canção,
poesia para o mais simples alterar,
poesia para ao mar amar,
poesia para poesia...
precisa-se de poesia...

(Nita V. Aguiar)





Pesadelando"

Revirando minhas internas gavetas,
cheguei ao teu lindo nome,
minha concha, da pérola esvaziada...

Nos meus emaranhados rascunhos,
deparei-me com teu olhar de querubim,
sereno e forte como uma ventania...

Tão intensa mirada, revirou-me a alma,
fazendo-me recordar sonhos reais,
onde completo-te e ocupas-me...

Leve como uma fogosa brisa,
tuas mãos levam meu corpo ao êxtase,
exalando afrodisíaco perfume...

Sentimento extraordinariamente imensurável,
revela minha interna paisagem,
puro êxtase do meu prazer...

Sentir teu corpo junto a mim,
eleva-me estranha alegria,
pisas no chão do meu coração...

Estranhamente, não existo em mim,
desprende-se do corpo, a alma,
nela, teu nome cravado está...

Vagando pela longa madrugada,
vi tua chama quase apagada,
ressaltando o avesso de tua imagem...

Livros espalhados ao redor,
algo salgado em minha face,
acordo, mas, ainda, pesadelando estou...

(Nita V. Aguiar)




O que parece?

Pés e pernas levemente estendidos,
num movimento
suavíssimo
flutua no ar
como pétalas
de rosas,
que pertinho
não é o que é,
e sim o que
parece...
uma linda
mariposa
que pairou no
vazio do espaço,
cheirando,
sentindo,
absorvendo
cada gota
que jorra
do céu,
iluminando,
justo na hora
do crepúsculo,
os contornos
da bailarina,
ainda,
menina
...

(Nita V. Aguiar)





“Conto sem fim”

Era tarde de sábado, a comunidade estava em festa. Ela, como se quisesse apagar todas as suas ligações com o passado, caminhava entediada e solitária pelo mundo cibernético, ao qual, não tinha muita intimidade, muito menos, muito o que fazer. Apesar de ser uma linda tarde outonal, seguia cabisbaixa, desolada como os que carregam o fardo de uma vida de fibra com peso de chumbo, quando, de repente, deparou-se com alvas mãos, nelas, uma linda borboleta preta com barra prateada, que mas parecia uma renda cearense tatuada.
Nesse momento, um largo sorriso saltou e foi, aos poucos, se abrindo em sua face triste, de menina mulher, de botão em flor. Parecia inacreditável! Duas paixões em um único espaço!!! Pressentiu que algo mudaria para sempre o rumo das suas histórias. Metaforicamente, soou forte, aos seus ouvidos, o sininho do encantamento, uma doce melodia ecoou e um perfume de rosas silvestres se espalhou pelo ar. Fascinada, a alada criatura, que era extremamente tímida, sentiu que não poderia passar incólume naquele chão, não teria como desviar-se, foi pega de jeito por uma atração fatal e transcendental, teria que soltar as amarras e aportar naquele porto. Seus olhinhos, quase da cor de mel, brilhavam de tanto deslumbramento, então, vestiu-se de coragem e lançou-se com impulsiva ousadia rumo ao inevitável, e, com expressão sincera de delicadeza e satisfação, selaram aquele momento mágico com um apertado musical abraço...
Não restava dúvidas de que esse amor era realmente incondicional e que o reencontro dessas almas teria a duração da eternidade. Seres alados se reconheceram mutuamente como se houvessem esperado séculos inteiros por esse presente, chamado encontro, que ultrapassa corpo, sombra e alma, aliás, coisa rara de se encontrar. Amigas de alma, almas enamoradas, como costumam intitular esse poderoso bem, que é a mais preciosa das jóias.
Duas em uma, tão diferentes e tão iguais. Uma, suave perfume, de largo livre sorriso intenso, preciosa pedra, simultaneamente rápida, inteligente, reflexiva, amorosa, solidária, divertida. Na realidade, ternura requintada, dona de um exuberante par de olhar que falam com o brilho que reflete de si. A outra, mal ousava mostrar-se! De riso contido, entre lábios, às vezes, ave noturna e imperfeita, delicada e secreta, suavemente rústica, impulsiva e natural. A primeira, exímia cronista, a segunda, exala poesia pelos poros, ambas, um misto de tudo que compõe a outra.
Desde aquele mágico dia, nas tardes fagueiras, se encontravam todos os dias no campim purpúreo dourado, que brilhava como um farol, chamando, convidando a uma charla, onde a luz toca as montanhas e só elas sabem o segredo desse labirinto que criaram juntas. Diuturnamente, metamorfose de idéias foi-se tecendo nos seus encontros diários. Pensavam o impossível, sofismavam, inventavam palavras e jogavam com elas. Se interessam por livros, telas, flores, filosofia, arte humana, e, principalmente pelos mistérios da vida.
Além de trocarem idéias, dicas, receitas e compartilhar emoções (as mais variadas possíveis e impossíveis), já se excederam juntas, racharam sonhos, tesouros, lembranças, choros e alegria. Ambas, estão presas nas algemas desta poderosa amizade filosoficamente crítica, analítica, reflexiva, lúdica e infinita de tudo, que nem a liberdade pode separar e Freud não ousaria explicar a força desse sentimento inabalável, que preenche espaços, faz brotar sorrisos de suas ondas telepáticas e magnéticas que tende cada vez mais a crescer cosmicamente com a força do que não tem explicação.
Foram tantos encontros, tanto tocar pela força espiritual e pelo magnético poder da telepática. Até que, Agnes, decidiu enfrentar os próprios medos, sobretudo, o maior deles; o medo de voar, voar no mais amplo sentido da palavra.Com sabor de eternidade, reviveram a infância que não puderam ter juntas, brilharam livremente pelas ruas em meio à diversas paisagens, flores e borboletas, transformando fantasia em realidade. Para fazer a amiga sorrir, Aimê, até foi capaz de sambar no infinito enquanto ninguém mais sambava e todos as observavam sem compreender, como se fossem Et’s. Poderiam ser enigmáticas para alguns, não para elas mesmas. Na realidade, tinham uma mensagem a transmitir, a qual é fácil de ser captada com a leitura do texto acima e abaixo.
Mas, a vida não feita somente de flores e arco-íris. Buraco negro abre-se diante dessas aladas criaturas, e, de repente, a angústia penetra suas almas. Como se pode notar, as amigas se desentenderam, como acontece com todos que se querem bem... O resultado foi uma carência interior, um vazio existencial, muito bem retratado pela canção de Adriana Calcanhoto:

“Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu, assim, sem você...”

Agnes, fechou os olhos, simultaneamente pôs-se a chorar e refletir sobre como era o passado antes de Aimê. Viu que no passado andava cansada de não ter amigos que compartilhassem de seus ideais e seguia questionando-se: “- De onde a gente veio? Para onde a gente vai? O que faremos?...” Pensara que viera ao mundo para ser infeliz, foi o que fizeram-na acreditar. Recordou que a vida andava sem rumo, sem a menor importância, meio perdida... até que um ser especial segurou fortemente a sua mão e lhe mostrou o mundo por outro ângulo, a fez perceber que a vida é mais simples do que imaginou, antes de conhecê-la e de conhecer a si mesma... Aimê, também chorou... e, recordou que também havia aprendido com aquela menina de olhar distante e aparentemente frágil, e, foi recordando ternura por ternura... o desabrochar natural daquele tesouro que não queria abrir mão...
ionaram, insistiram até desfazer o mal entendido e afastar todas as sombras, pois, tinham certeza que uma amizade construída com confiança, lealdade e sinceridade, jamais se desmancharia. Pois, possui uma força poderosa, um amor maior que os amores de todos os amores! Agnes, pensou: “_ Se isto que conheci e sinto agora, não for um terno amor, então, só pode ser algo sobrenatural! Descobri algo Divino, um presente dos céus, bem melhor que amar. Ambas, sentem que poderiam viver uma novela inteira, mas, estão em um conto sem fadas e uma história sem fim.
Aimê e Agnes, ressuscitam que é preciso ouvir os outros, a natureza, a vida, que é necessário observar as pequenas coisas e os seus grandes encantos, ter uma visão de vida em vida e ser tomada por ela, com alegria e fascínio, aproveitando cada segundo, fazendo o que se gosta, construindo o que se pode, sem medo de se jogar, como se jogaram, sem medo de ser feliz. Submissas sim! Mas, somente aos caprichos do coração.
Ao acordar, Agnes, descobriu que tudo não passara dum sonho, lágrimas rolaram, não queria mais acordar daquele sonho bom... a imagem, na cozinha, veio à tona. Aimê, dizia, olho no olho, à menina:”_Promete-me que será feliz? Eu, prometo que jamais a abandonarei e sempre estaremos juntas, feito asa de borboleta, sempre lado à lado.” E as duas continuaram mão na mão, viajando pela Via Láctea, flutuando nas dimensões visíveis e invisíveis extra-sensoriais da existência...
Com olhos postos nos olhos, seguiram, quase em oração, recitando Benedetti:
“... Hagamos um trato:

Yo quisiera contar com vos.
Es tan lindo saber que existes,
uno se siente vivo e cuando
digo esto, no es para que vengas
corriendo em mi auxílio.
Sino para que sepas que vos
Siempre puedes contar conmigo.”

Agora, a história de uma faz parte da história da outra. E tudo se inicia na fantasia.

(Nita V. Aguiar)



















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