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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Mírian Warttusch




Ser Tua

Ser tua... ser de ninguém,
Serei eu alguém de alguém?
Resposta que não se encontra,
Alma fria, só e tonta,
Ser tua...ó eu quisera
Inconformada quimera
Deixa a alma inconsolada,
Breve pausa nessa estrada
A fim de se achar alguém,
Que nos procure também...
Almas loucas transitantes
Sós, querendo ser amantes,
Uma à outra a procurar
Destino é não encontrar...
Outra vidas, outros planos,
Nesta aqui, só desenganos,
De querer e ser de alguém
Mas de quem? Diga, de quem?
Alguém que também nos queira...
Estrada longa se abeira
Não deixa encontrar alguém.
Ser tua... ser de ninguém...
-Serei eu, alguém de alguém? -
Não sou o sol, nem a lua,
Nem és meu, nem eu sou tua...

Mírian Warttusch


 

Cecília Meirelles



 Lua Adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meirelles

Ao Piano...

Mírian Warttusch


A partida de um ente querido
é sempre traumática e nos causa um
sentimento muito grande de perda e desamparo.
Mesmo que tivéssemos o poder de
mudar o destino, nos depararíamos com verdades
absolutas e incostestáveis.
As Leis de Deus são únicas e não tem excessões.
Caminhamos todos na mesma direção; só foge ao nosso
entendimento por que uns se vão tão cedo, outros atingem uma
longevidade muito grande, e assim, quer sejam as causas
da partida, naturais ou fortuitas,   tenha a certeza de
que tudo faz parte da missão de cada um e 
acontece no momento exato;
Nem antes, nem depois.

     





 A GRANDE VIAGEM

Não pertencemos a nós nem temos o poder,
De decidir sobre a nossa partida, podem crer.
É decisão do Pai, o se nascer, ou o se morrer,
Tudo está escrito e nada podemos nós fazer.

Chegar, partir, fazer as malas, estar preparado,
Para atender de Deus, um dia, o Seu chamado.
Tarefa difícil, pois os conflitos vivem ao nosso lado,
E nem sequer na morte teremos nós pensado.

Entendê-la como um estágio, ou uma transição,
Pois para a alma é um processo de lapidação.
Viver, transpor barreiras, entender de perdão,
Engrandecer a cada dia, o nosso coração.

Só os poetas sabem com perfeição essa verdade,
Tanto convivem com o etéreo, em cumplicidade.
É apenas um estender de mãos e com suavidade,
Empreender a grande viagem rumo à eternidade!

Transpor os patamares do céu – hora suprema!
Ouvir o último canto de adeus, da seriema...
Sê como o poeta que sonha... nem a morte tema,
E ao chegar a hora, siga da forma mais amena.

Cabe ao Altíssimo a decisão que nos conduz,
Seja qual seja o nosso fardo, ou pesada a nossa cruz.
Como um dia tua mãe te recebeu, dando-te a luz,
Com todas as honras, serás recebido por Jesus!



Mírian Warttusch




"Aquele que morre, apenas está adiantado em relação a nós, porque vamos todos na mesma
direção. E não esqueças que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança." (Facundo Cabral)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Denise Fontes

(Imagem - Tela de Gustave Klimtim)
Meu amado,
adona-te dessa mulher
despertencida e nua.

A noite é um pássaro sem medo
e tua pele um labirinto de veias
sequiosas.

Abre meu corpo à correnteza
para que teu desejo aporte.

Ouve a paixão oculta das minhas águas.

Denise Fontes

Denise Fontes

(Imagem Mercedes Bellard)
Porque minha alma
carrega por ti
a voragem 
de um desejo amoroso
e a embocadura do meu rio
te repleta, mais que te consome,
deverias crer em mim
quando te digo
que as manhãs
se dissolvem azuladas
no teu sexo.

Denise Fontes

Denise Fontes

(Tela Amadeo Modigliani)
Assombra-me esse amor por ti solitário
como bancos de areia inundados
pela força das marés 
revolvendo ternuras e destroços. 
Amo absolutamente
este ser que em mim
não se conforta nem se entrega.
Tocasses- me o corpo e sentirias
esse ardor inabalável
que só a mim consome.
Beijasses-me e acreditarias
que te seguraria as mãos
até o escorrer inadiável
dos nossos olhos
do caráter definitivo
da morte.

Denise Fontes

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Djanira Pio

Djanira Pio, professora aposentada, nasceu em Santa Rita do Passa Quatro (SP). Escritora alternativa, tem publicações na França, Portugal e Itália. Escreve poemas, contos, minicontos, crônicas e romances. Tem livros publicados, entre eles: Fragmentos (contos),  O Tamanho da Vida(minicontos), a trilogia romanceada: A Cidade dos Sonhos, Um Canteiro de Margaridas e Seu Nome era Susana.  Escreve poemas, contos, minicontos, crônicas e romances. Tem livros publicados, entre eles: Fragmentos (contos),  O Tamanho da Vida(minicontos), a trilogia romanceada: A Cidade dos Sonhos, Um Canteiro de Margaridas e Seu Nome era Susana. 


Dor

Caminhei olhando para o chão.
Segui distraída
sem ouvir os pássaros.
Não percebi o próximo
e me julguei
sózinha.
Estranha vivente
não pertencente.
Inútil
foi viver
como morta,
enquanto viva.






 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Naldo Velho

Os que falam a linguagem das coisas
(Imagem colhida no google)




Os que falam a linguagem das coisas
costumam saber dos cochichos das folhas
e das águas que correm os segredos que há.
Conversam, assim como conversam as pessoas,
com as cigarras, os colibris e as sabiás;
sabem até pronunciar palavras de anjo
e com elas amansar ventania,
acalmar choro de criança, fazer poesia...

Outro dia conheci um que falava com as pedras,
dizia que elas sabiam do tempo e do quanto
ainda havia de tempo pro tempo passar.
Dizia que longe pras bandas de onde,
o rio encontrava com as águas do mar,
havia um rochedo que sabia de um tempo
de um Deus ainda menino
que de travessura em travessura
havia criado tudo o que há.
Pedra sabida! Bem antiga!

Mas existem os que só falam a linguagem das sombras;
esquisitos e apressados, só vivem zangados,
não conseguem sonhar, nem pensar colorido,
não sabem do sorriso, do carinho e da saudade,
pois para eles, sentir falta de alguém é pura bobagem!
De poesia, então, nem querem ouvir falar!

Ainda bem que existem outros,
os que vivem querendo aprender a sonhar colorido...
Quem sabe um dia eu possa ser igualzinho
aos que sabem palavras de anjo,
e com elas amansar ventanias, acalmar criança assustada,
fazer poesia..

Jorge Lima

UMA ESPÉCIE DE CAÇA AO TESOURO ÀS AVESSAS 

Pra toda caça bem sucedida 
há a hora certa.
Iguarias intermináveis
nós as encontramos na Amazônia.
Basta estar empunhando arco e flecha
E ter ao menos um pouco de paciência. 

Gato não vale, 
Por que é bicho domesticável.
Cachorro por outro lado, idem,
Pois na rua nós o encontramos aos bocados.

Daí o caçador presencia inusitada cena:
O Uirapuru, ciente do valor de seu canto,
abre asas para uma coruja
a fim de que juntos,
Descobrissem a melhor rota de voo
rumo a um território novo.

Mas a coruja ficou desconfiada
Achando que o outro queria usurpar o seu
desmedido estoque de sabedoria.

A rara ave amazônida, por sua vez, cantou e dançou ali
Demonstrando que também ele alguma riqueza
possuía.

A coruja, afinal, se fechou.
Alguns segundos depois
ao amigo propôs
Que topava a parceria, mas com uma condição.
Que o Uirapuru não cantasse nem dançasse em
quintais vizinhos.

Pois com um dos olhos feridos
A coruja olhava para o uirapuru
como se ele fosse rato e não um pássaro.

Daí pensou, a exótica ave:
“Há espécies de coruja que não se encontram
em extinção.
Vou atrás de outra, que tenha mais paciência e
consiga enxergar a mina de ouro presente
em meu libertário coração.”

Jorge lima 21/10/2013 Belém-Pará

( Imagem foto search)