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sábado, 7 de agosto de 2010

MIRÍADE - RACHEL D.MORAES

(tela de Pino Daeni)

Não mais os confusos pesadelos, 
Não mais os fantasmas
 
Rondando a fraqueza.
 
Alguns até tentaram
 
Arrancar-me confissões.
 
Inventaram mentiras, infâmias,
 
Para me amortalhar no medo.
 

Lutei no campo das angustias,
 
Levantei armas e vivi
 
A aventura do guerreiro.

Deitei o sangue no combate, 
Para acreditar de novo,

Nos que fizeram trincheiras. 

Perplexos, eles debandaram vencidos.
 

Voltei para o meu lugar
 
E vi lágrimas virarem
 
Miríade de pontos cintilantes,
 
A saírem dos olhos cheios
 
De orgulho de meu amor.

MEU MEDO - RACHEL D.MORAES






(imagem by poveira)

O medo que tenho
É de nunca me apagar,
Medo do começo,
De nunca poder parar.

Medo da chegada hostil,
Da flor que evapora.
Do perfume que fica
E que não vai embora.

O medo que tenho
É da lembrança infinda,
É de estar para sempre
Como alma perdida.

COMPAIXÃO - RACHEL D. MORAES




(imagem by basikp)




Ele veio para mim
Como suntuosa claridade
Quando eu era uma estreita sombra
Envolta em nevoa.

Sem aviso prévio entrou pela porta estreita
De meu coração.
Foi como se uma cortina se abrisse
Deixando toda a luz do dia entrar.

Esse mesmo coração, agora largo
Vive o mistério da luz confiado a mim.

Aquele meu singular fascínio
Pelos subterrâneos escuros se foi.
Dedico-me agora a leveza,
Ao esplendor matizado
Da rosa mística da existência.

Acompanho o drapeado que evolui
Em minha roupa transparente.
Vejo asas soltas dançando um existir
De vida dupla.

Aprendo uma outra maneira “do ver”.
O meu olhar não cai somente no olhado,
Mas é sinuoso a buscar o escondido.

Olho para poder novamente ver,
Ele, sempre ali estilhaçando seu olhar em mim
Mostrando-me o mistério da compaixão.

IDEOGRAMA - RACHEL D.MORAES

(imagem by google)



Quem tocará o alaúde e a flauta
Quando eu estiver além do mundo
Enrolada nos arabescos
Das constelações?

Que deus tocará minhas mãos
Com lábios de clarão
Inclinando-se com solenidade?

Azul anil é o meu vestido,
Para que se confunda
Com a cor dos dedos
Consoladores de Krishna.

Abarca-me em teu seio,
Deus dos oceanos.
Lentamente me desvencilho
Do que me cinge
Sentindo minhas lágrimas
Serem transformadas em diamantes.

Véus se entrelaçam a minha volta,
Sou transportada num carro de corais
Para a câmara das pepitas raras.
Bolhas luminosas dançam
Ao redor de minha cabeça,
Explodindo em mil partículas
De luz, quando surge
O ideograma de meu novo nome.

LEMBRANÇAS - RACHEL D. MORAES

(by google-imagem)





Guardo em mim a secreta
Delícia de teus dedos.
O calor da seda enrolada
Na cintura que dobrou
Sonhando por ti.

Os passos entrando no pátio,
Surgindo na soleira da porta do quarto,
Para invadir meu corpo vulnerável. 

Suplício de lembranças que guardo,
À sombra do tempo que revive
Ao som de nossa canção de amor
E da dança extenuante de meu corpo.

Aquela que viu o teu rosto de amante,
Empalidece ante a perspectiva
De teu espírito pairando
Sobre o colírio dos olhos. 

Ventania de abraços, agora entre o véu
Das lembranças neste dia.
Lantejoulas saltam de meus olhos,
Deslumbrados de desejo,
Pois ainda sonha contigo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

" O ADEUS"


      

                                             (Tela Family Resende- por Luiza Caetano)


"O ADEUS"

Tuas mãos sobre as minhas
e as lágrimas
dum Adeus anunciado,

Apenas um orvalho
carimbado na despedida

Morre-se devagar
engulindo o choro e a dor

Adeus! Adeus!
Adeus Meu Amor

LuizaCaetano 06/ 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

OSWALDO ANTÔNIO BEGIATO

OSWALDO ANTÔNIO BEGIATO

POEMA DE PABLO NERUDA


                                                                (imagem - Mulher - By Google)



Morre lentamente quem nao viaja, quem nao le, quem nao ouve musica, quem nao encontra graca em si mesmo.
Morre lentamente quem destroi o seu amor-proprio, quem nao se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do habito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem nao muda de marca, nao se
arrisca a vestir uma nova cor ou nao conversa com quem nao conhece.
Morre lentamente quem faz da televisao o seu guru.


Morre lentamente quem nao vira a mesa quando esta infeliz com o seu trabalho, quem nao arrisca o certo pelo incerto para ir atras de um
sonho, quem nao se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de inicia-lo, nao pergunta sobre um assunto que desconhece ou nao responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforco muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseveranca fara com que conquistemos um estagio esplendido de felicidade. 


 

 



(respeitando a forma gramatical  do tradutor)